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N O V I E M B R E 2 0 0 1 |
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As
discussões em torno da grave situação em que se encontra
o Centro de Fortaleza são recorrentes, tornando mais do que
evidentes duas questões. Primeiro, a efetiva
importância do assunto para o equilíbrio das relações
entre a cidade e seus cidadãos. A outra é a diluição das
atitudes decorrentes das discussões e a clara ineficácia
das ações já implementadas, seja pela timidez ou por
imprecisão dos conceitos (?) de intervenção.
É
importante ressaltar como o cidadão se sente incomodado com
a situação. É comum as pessoas questionarem sobre as razões,
as soluções, as propostas de revitalização da área
central. Como explicar que pessoas aparentemente alheias,
cujo perfil de comportamento nem inclui “viagens” ao
Centro, estejam vivamente interessadas neste desfecho.
Por mais paradoxal que possa parecer, o Centro está cada
vez mais distanciado da vida comunitária. Uma geração
inteira está sendo criada sem nunca ter entrado no perímetro
da área central da cidade, uma situação tão esdrúxula
como aquela decorrente da implacável urbanização das áreas
rurais, de gente que nunca teve contato nem com uma galinha
viva. A grande questão que se impõe quase que
intuitivamente é que as pessoas não conseguem conviver com
a fatalidade da perda da identidade social e,
principalmente, cultural, decorrente deste fatídico
processo. Discorrer sobre a desertificação do Centro e
suas danosas consequências é comentar sobre perdas quase
irreparáveis de valores de referência de qualquer
sociedade. O caráter embrionário da área em questão com
a cidade cria uma relação tão simbiótica com a memória
da população, que é impossível imaginar que uma
sociedade possa rompê-la sem prejuízo à sua própria
personalidade. É uma relação visceral de identidade.
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A falta de uma política pública global de intervenção gerou um espaço que tem sido devidamente ocupado por entidades e a própria sociedade civil, ao perceber a gravidade da situação. Não se pode pensar que intervenções exclusivas ou emergenciais possam solucionar qualquer coisa de maneira satisfatória. Este tipo de ação pode ocasionar lesões tão graves quanto as que pretende solucionar. Há de se ter uma compreensão de que a situação do Centro está intrinsecamente relacionada a um contexto mais amplo, que envolve aspectos sociais, políticos, econômicos, históricos e até tecnológicos. É imprescindível que qualquer ação pública tenha a participação da sociedade desde o seu fato gerador. As iniciativas com o objetivo de reversão da situação em geral necessitam estar bem articuladas e devem ser conduzidas pelo poder público. O que de comum existe entre os gestores municipais e estaduais, suas ações como o Metrofor, o Projeto Fortaleza Histórica, o Cine Ceará, a iluminação da Catedral, a reforma de praças, a mudança do Mercado e as organismos e associações como o IAB, o IPHAN, a CDL, a FIEC, o Planefor, a Ação Novo Centro? Há, sem dúvida alguma, de um lado o dever e a responsabilidade de condução do processo, junto a intervenções tão importantes quanto desconexas; e do outro a sociedade civil atuante, preocupada, insatisfeita e com atitude propositiva. Ou seja, está faltando um elo para que tenhamos uma ação planejada para o bem-estar comum: interesse público acima das diferenças particulares. |
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Marcus Lima é arquiteto e presidente do Instituto de Arquitetos do Brasil do Estado do Ceará – IAB/CE |
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COLABORACIÓN DE : |
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