No
dia 29 de
abril
próximo passado foram
apresentadas ao
Conselho
Universitário e
sua
assistência
três
propostas
para o
Plano
Diretor da UFBA. A
proposta
mais
leve sugere a
venda das
residências
estudantis da
Vitória e do
Canela e a
mais
radical indica a
venda de
todo o
patrimônio
imobiliário da UFBA localizado no
centro da
cidade,
inclusive o
Palácio da
Reitoria,
em
função da
edificação
completa do
Campus
de Ondina.
O
projeto megalômano
reflete o
sonho
atual da
classe
média,
que associa
qualidade
acadêmica à
infra-estrutura de
“shopping Center”,
padrão
este realizado e
difundido no
nosso
ambiente pelas
Universidades
Privadas, e
comprovadamente
falso no
quesito
qualidade de
ensino.
Diante desta crônica, há algum tempo
anunciada homeopaticamente por meio de um discurso
persuasivo, que apresentava a intenção como fato já
consumado, ou como inevitavelmente consumado,
inevitavelmente necessário, é premente reflexões a respeito:
Há muito, a
UFBA é proprietária de
um
conjunto de
imóveis
cujo
significado extrapola
ao de
edifícios implantados
em
áreas
nobres, de
alto
valor
imobiliário.
Grande
parte destas
casas constitui
um
patrimônio cultural,
que,
em
outra
sociedade,
já estaria
devidamente tombado
pelo
patrimônio estadual e
federal.
Como a
sociedade é a
brasileira, dominada
pelos
interesses
mercadológicos de uma
elite predadora
que
nunca aprendeu a
dimensão de
bem
público,
estes
imóveis encontram-se
até
hoje
sem
processo de
tombamento,
vulneráveis,
portanto, às
intenções destrutivas
como a
que se apresenta
com o
Plano
Diretor. Digo
destrutivas,
porque
não haveria nenhuma
outra
alternativa
para a
residência
estudantil do
Canela,
assim
como
para o
Chalé e o
prédio da
Reitoria,
também no
Canela,
que
não a
destruição
pela construtora
que
efetuar a
compra,
pois
estes
imóveis são
destituídos de terreno suficiente à volta, que permita uma
edificação
nova, de
alto
padrão,
sem o
sacrifício dos
casarões existentes.
É
oportuno lembrar,
que
estes
marcos de
arquitetura
cuidadosa, de
beleza
artística e
estranha
nos
padrões,
diferente dos
horrores
arquitetônicos
atuais,
somente foram preservados
até os
dias de
hoje porque pertencem
a uma
instituição
pública,
mais
precisamente a uma
Universidade
Federal.
O
funcionamento de
determinadas
unidades e
órgão da UFBA
como as
Escolas de
Música,
Teatro, Belas
Artes e Nutrição,
nestes casarões, fazem o diferencial desta
Universidade, dizem
da
tradição e de
sua
força cultural,
que distam do
padrão “shopping
center”. Apresentam uma
universidade
entranhada na
vida da
cidade e
não recolhida
em
um
recanto qualquer
escondido, uma
universidade
que
vê e é distinguida
pela
sociedade,
pelo
cidadão
que reconhece o
valor simbólico
destas
sedes distribuídas
por
bairros
próximos,
por
bairros
repletos de
equipamentos
culturais,
por
bairros
normais,
onde a
vida
pulsa,
diferente
em
tudo dos
demais campi
das
universidades
públicas brasileiras,
que
mais parecem
acampamentos e confinamentos.
Tudo
isto faz
muita
diferença
para o
estudante residente
que procede do
interior,
com
pouco
dinheiro
para
transporte e
que
precisa se locomover,
não
somente
para
ir às
aulas,
mas
sobretudo,
para
complementar a
sua
educação
nos
teatros,
nos
cinemas, nas
galerias,
nos
museu e
prover o
seu
entretenimento.
É
notório
que os
casarões estão
esgotados na
sua
capacidade de
acomodação,
mas o
problema
não ficará resolvido
com a venda, e sim
com a
expansão das
unidades
residenciais.
É
sabido
que os
casarões estão
em
péssimo
estado de
conservação,
mas
isso
não se resolverá
com a
venda deles,
nem
somente
com a
construção de
edifícios novos. Isto
se resolve
com o
resgate da
manutenção
física das
universidades
públicas brasileiras, sonegada
desde o
regime
militar
como
forma de demolição
literal de uma
instituição
que se negava a
legitimar a
tortura e o
autoritarismo,
ainda sonegada na
atualidade
pela
falta de
interesse
político
que opta
pelo
pagamento dos
juros da
dívida
externa
em
detrimento dos
investimentos
em
educação.
É
oportuno
lembrar
que os
edifícios construídos
no
século vinte
para o
funcionamento de
faculdades da UFBA,
também estão
com
problemas de
falta de
manutenção. É
oportuno
lembrar
que o “CAMPUS
SHOPPING”, se for
construído,
também se arruinará
em
poucos
anos
pela
mesma
razão.
Portanto, o
problema
não é de
descentralidade,
nem de antigüidade
dos
imóveis, o
problema é
sobretudo de PASSIVIDIADE
SOCIAL.
É
preciso
lembrar
que há
interesses
enormes na
venda destes
casarões
por
parte das
construtoras. É preciso
lembrar
que muitas destas
construtoras pertencem a
políticos baianos. É
preciso
lembrar
que o “lobby”
para a
venda será imenso,
haja
vista a
manchete e a
matéria publicada no
Jornal
Correio da Bahia de
26/04/2005 sobre o
estado de
conservação das
residências
estudantis e
sobre a
decisão
pela
venda,
em
um
momento em que sequer
o
assunto fora
debatido.
Convocamos a
comunidade da UFBA, a
comunidade
baiana e
brasileira
para
livrar o
patrimônio da UFBA da
entrega ao
capital
privado,
que destruirá
estes
imóveis,
como vem fazendo
com os
casarões da
Vitória,
pois
mesmo
quando o
projeto mantém a
casa
antiga
como foyer,
essa
casa é
privada do
uso
público e
em
alguns
casos
até
mesmo
privada da
sua visualidade. Esta
foi a
situação ocorrida
com o
casarão
número 2354, na
Vitória,
onde funcionava o
Colégio Sophia
Costa
Pinto,
encoberto
atualmente
por
um
portal
descomunal
que impede a
leitura do
belo
edifício
pelos
transeuntes.